Decorreu no Musas, quinta-feira, dis 20 de agosto, a apresentação do livro “Reencantar o Mundo – O feminismo e a política dos bens comuns”, de Silvia Federici, com a presença do tradutor e editor da Cornuda Radiante, Júlio Gomes.
A apresentação, que proporcionou um debate vivo das ideias desta importantíssima militante feminista, permitiu entrever um pouco da sua crítica da política dos bens comuns a partir de uma perspectiva feminista, numa tentativa de compreender as reconfigurações do capitalismo contemporâneo, e propondo práticas de resistência, da Nigéria ao México, passando pela Bolívia, Brasil e Estados Unidos, que a autora ativamente investigou, antepondo ao capitalismo vigente a «reconstrução de práticas colectivas de reprodução da vida que desafiem a mercantilização da existência e o controlo estatal e privado da existência».
Para espevitar a reflexão no debate sobre o livro, o editor selecionou várias citações da obra da autora, como esta, por exemplo: «As teóricas do feminismo ensinam-nos que não podemos aceitar a concepção de Marx sobre o que constitui trabalho e luta de classes e, ainda mais importante, devemos rejeitar a ideia – que perpassa a maiorv parte da obra publicada de Marx – de que o capitalismo é ou foi uma etapa necessária na história da emancipação humana e uma condição prévia necessária para a construção de uma sociedade comunista. Esta rejeição deve ser inequívoca, porque a ideia de que o desenvolvimento capitalista fomenta a autonomia dos trabalhadores e a cooperação social, avançando por conseguinte para a sua própria destruição, é manifestamente inaceitável», ou ainda «não é por acaso que, face ao impulso neoliberal mais decidido para privatizar os recursos comunais e públicos que restam, não são as comunidades mais industrializadas, mas as mais coesas, que têm conseguido resistir e, em alguns casos, travar a febre privatizadora».



