Orientada como habitualmente por Jean D. Soares, e inserida no tema geral do último ciclo das Conversas Filosóficas – O Comum, decorreu no Espaço Musas, no dia 17 de Junho mais uma Conversa Filosófica.
“As ficções científicas do século XX apontavam para um futuro absolutamente vigiado e sombrio, em que as máquinas, presentes nos sete cantos do planeta, vigiariam os humanos, quase a ponto de os fazer sucumbir a vontades subjacentes à construção de dispositivos tecnológicos”, lembrou Jean D. Soares que, numa perspetiva mais aberta propôs debater a reflexão de Yuk Hui, sobre a ideia da Tecnodiversidade, “para explorar perspetivas menos tecnofóbicas em torna dos meios tecnológicos que nos rodeiam”. Segundo Jean D. Soares este autor estuda “diferentes estratégias políticas em torno da tecnologia para procurar nelas, sim, seus riscos, mas também caminhos que representam também a emancipação da humanidade”. Como exemplos de novas tecnologias com um eventual impacto positivo foram referidos a técnica do fogo, o telégrafo, o comboio, como também podíamos ter falado da bicicleta. Apontadas foram igualmente as licenças de software livre GNU/Linux, a comunicação “peer to peer” – como a distribuição por torrents, etc..
A anteceder o debate, em que se abordaram ainda questões como as propostas transumanistas, a consciência das máquinas, a visão neorreacionária e outras questões afins, foram também visionados trechos do filme de Werner Herzog “Lo And Behold, Reveries Of The Connected World”, – “Eis o Admirável Mundo em Rede” na tradução para Portugal, ou “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, para o Brasil, filme de 2016 em que o cineasta propõe ouvir, sem censura, as propostas de vários interlocutores ligados às tecnologias mais inovadoras, mereçam elas ou não a nossa aprovação. Entre estas, a da criação da atual internet que tanto impacto tem nas nossas vidas.



